Este é o mapa compósito oro-hidrográfico de Portugal escala 1:200.000 (1 cm ≡ 2 km no terreno), composto a partir da
publicação de Orlando Ribeiro et al. em 1965 com 37 folhas.
O mapa tem 1,41 m ↔ x 2,9 m ↕ (4,15 m²), imagem em alta resolução aqui (tiff @ 254 dpi ≡ 20 m/pixel,
o suficiente para que mande fazer uma impressão à escala com qualidade).
"O mapa de Portugal na escala de 1 : 100 000 começou a ser publicado em 1862 pela Direcção-Geral dos Trabalhos Geodésicos, Topográficos, Hidrográficos e Geológicos do Reino,
debaixo da direcção do general F. Folque. Precedera-o de alguns anos uma tentativa na mesma escala, com o relevo figurado em «hachures», de que apenas saíram algumas folhas.
A publicação foi demorada, terminando em 1900 e cobrindo, com 37 folhas, a superfície de Portugal continental. Daí se extraíram posteriormente algumas folhas na escala de 1 :50 000,
simples ampliação, a cores, do anterior. Até à recente publicação da excelente Carta Militar a 1 : 25 000 e da Carta Corográfica a 1 : 50 000 (com algumas folhas ainda em impressão provisória
e deficiente), constituiu o velho mapa a 1 : 100 000 um instrumento de trabalho precioso. Impresso a preto e pouco expressivo, em curvas de nível equidistantes de 25 metros, com uma sobrecarga
de certas formas de vegetação e de ocupação humana, de nomes e cotas, a sua leitura torna-se fatigante; nalgumas tiragens da litografia original, já muito gasta, ficou inaproveitável na maior
extensão de certas folhas.
No entanto, o velho mapa serviu, durante alguns decénios, os seus desígnios. Nele se basearam os levantamentos geológicos do mapa a 1 : 500 000, e dele se extraiu o mapa hipsométrico
na mesma escala, magnífica imagem de conjunto do nosso relevo, com uma expressiva e criteriosa gama de cores de áreas de altitude, e ainda, na mesma escala também, o mapa agrícola e
florestal. Os trabalhos geomorfológicos de H. Lautensach, P. Birot, O. Ribeiro e M. Feio utilizaram-no muitas vezes como recurso exclusivo.
Das folhas mais apagadas ou de leitura mais difícil extraíram-se as curvas de nível e as linhas e cursos de água, obtendo-se deste modo uma excelente figuração de relevo, por vezes
muito vigorosa e expressiva. Os topógrafos nunca distinguem linhas de água que apenas funcionam durante as chuvas e cursos temporários e permanentes; procura-se, por meio das primeiras,
sublinhar os entalhes de barrancos e modestos valeiros; uma ou outra vez, foram elas multiplicadas de maneira inconveniente (por exemplo na folha n.º 15); a originalidade de certas formas
(glaciárias, algumas escarpas de falha e gargantas) nem sempre foi compreendida e, por isso, é figurada de maneira mole e incorrecta. Estes senões não desmerecem uma obra que, para o tempo
em que foi executada, colocou a cartografia de Portugal muito acima da doutros países do Sul da Europa.
Durante vários anos redesenharam-se no Centro de Estudos Geográficos as curvas de nível e linhas de água do mapa a 1 : 100 000: um ensaio de redução a 1 : 200 000 deu os melhores resultados.
Entretanto a publicação do mapa a 1 : 25 000 cobriu todo o País, com outra exactidão (obtida pela restituição de fotografia aérea) e pormenor (equidistância de 10 metros). Mesmo assim as cópias
oro-hidrográficas continuaram a ser consultadas. Sobre a redução das primeiras folhas do Sul do País preparou Mariano Feio o esboço geomorfológico que acompanha a A evolução do relevo do
Baixo Alentejo e Algarve, Lisboa, 1952.
Cremos que o Mapa Oro-hidrográfico de Portugal, agora publicado na íntegra, poderá ainda prestar serviços aos geógrafos e geólogos, preocupados com as formas do relevo, de que dá tão expressiva
imagem de conjunto. Como nada havia aparecido na cartografia oficial nessa escala, promoveu o Centro de Estudos Geográficos a sua edição. Desprovido de nomes e cotas de altitude, a sua leitura
de pormenor não dispensa, evidentemente, de recorrer às folhas do mapa a 1 : 100 000.
ORLANDO RIBEIRO, desenho de JOSE MOURÃO e HUMBERTO AVELAR."